jan
31
2012

Virtualização: seis dúvidas muito comuns

Ao longo dos quatro últimos anos, as empresas definiram a clara predileção pelo posicionamento de servidores virtualizados. Muitas companhias preferem instalar esse tipo de servidor, no lugar das máquinas físicas tradicionais. De acordo com a IDC, até 2014, espera-se a transferência de 70% da carga de trabalho atual para essas máquinas.

Diferente dos primeiros dias da virtualização, quando a decisão de remover servidores físicos que hospedavam processos essenciais era duramente criticada, as questões que cercam a virtualização da atualidade, são poucas, quase inexistentes.

Mas mesmo com toda a aceitação, existem confusão e falta de entendimento vagando pela cabeça dos executivos, não obstante sua atuação em grandes empresas.

Vamos as principais causas de falta de clareza ao optar pela virtualização:

1. Que tipo de virtualização você tem?

Levantamentos recentes com CIOs e líderes de TI seniores demonstram que entre as corporações que adotam sistemas virtualizados e as que usam para dar conta de tarefas consideradas essenciais, poucas aplicam hypervisors diferentes, de mais de um fornecedor.

“A maioria adere a um hypervisor por vez”, conta Gary Cheng, da equipe de analistas da IDC. Segundo ele, no geral, apenas uma minoria acredita que existe mais de um sistema virtualizado em operação na empresa.

Pesquisas antigas dão conta da liderança do VMware como gestor de ambientes virtualizados. O mesmo resultado foi percebido no levantamentos mais recentes da IDC. Ainda assim, houve crescimento no uso de plataformas híbridas: mais da metade de todas as empresas iouvidas pela IDC em todo mundo no último ano têm mais de uma plataforma virtual, sendo Citrix e Hyper-V as mais difundidas por seu baixo custo e facilidade em adquisição.

2. Observe o ROI com cautela

De acordo com James Staten, VP e analista chefe da Forrester, mesmo com as vantagens de processamento e em economia gerada pela adoção de servidores virtualizados, o enorme retorno financeiro prospectado não é proporcional ao volume de máquinas físicas removidas. Staten acha que, normalmente, o processo de substituição de máquinas físicas por máquinas virtuais é realizado em várias fases, o que não necessariamente trará um ROI cada ano ou a cada vez que a empresa realizar essa implementação.

“Quando você faz uma migração em massa para o ambiente virtualizado, tem economia direta. Mas tal economia cessa junto com a fase de remoção das máquinas físicas”, diz Staten.

Para Chen, as empresas deveriam prestar mais atenção aos custos operacionais ligados à manutenção de sistemas. É comum que observem apenas a economia proporcionada pela eliminação de máquinas.

Normalmente, a queda do ROI e o incremento dos custos operacionais  - que ocorrem simultaneamente ao finalizar a migração para ambientes virtualizados – dão aos gestores a impressão de não terem realizado nenhuma economia relevante.

“Por fim, a TI é obrigada a explicar uma série de fatos aos gestores. Por exemplo, que o aumento dos custos operacionais é consequência natural da introdução de mais sistemas na rede corporativa”, explica.

3. Multiplicação dos custos com licenças

Staten aponta para o fato de servidores virtualizados ocuparem menos espaço e consumirem menor quantidade de energia. Mas a economia direta cessa nesses pontos. Igual acontece com outros servidores, eles requerem licenças dos software e sistemas operacionais que rodam.

Por falar em licenças, essa é uma questão com que as empresas devem tomar muito cuidado, pois existe a ameaça de ela fugir do controle. Cabe às empresas não se deixarem seduzir pela flexibilidade da instalação de servidores virtualizados e por sua capacidade de rodar múltiplas instâncias de uma só vez.

“Se a organização assinar um contrato em que prevê o posicionamento de 500 servidores virtualizados, ao passo que já está na casa dos 600 e a tendência é de expansão, há um problema pela frente”, alerta Staten. “No momento, existem muitas renegociações de contratos de virtualização em andamento, justamente por questões iguais a essas”, diz.

Thompson, da empresa Target, menciona de que forma percebe a economia gerada e os custos relacionados à virtualização. “Mesmo com todo o dinheiro que deixamos de gastar no posicionamento de servidores, a conta com licenças – 3.500 sistemas Windows mais as licenças dos sistemas virtualizados – acaba sendo expressiva”, diz, sem mencionar a dimensão do investimento.

Existe uma grande diferença entre ‘virtual’ e ‘gratuito’”, reforça Chen.

4. Atribuições da gestão

Existe outro benefício teórico na adoção de sistemas virtualizados. Eles são mais fáceis de gerir do que seus primos físicos, pois podem ser reiniciados, reconfigurados e monitorados remotamente. “Isso é uma perspectiva”, diz Dan Olds, consultor chefe da Gabriel Consulting Group. “Mas o que nossas pesquisas revelam é diferente. Nos últimos quatro anos, não houve incremento nas declarações dadas por gestores de plataformas virtualizadas dando conta de uma diminuição na carga de trabalho ou aumento na praticidade”, completa.

Olds diz que metade dos administradores de servidores x86 com instâncias virtualizadas acredita que o trabalho ficou mais fácil. Para uma mionria, a virtualização resultou em maior carga de trabalho. Mais muitos permanecem em dúvida quanto à redução ou à facilitação de suas atribuições por sistemas virtualizados.

“Resta descobrir se o suposto aumento na carga de trabalho se deve à tarefa de gestão dos servidores por força do alto número de conexões, ou se tal circunstância é fruto da carência de ferramentas”, coloca Olds.

5. Mais qualificação exigida

Para Patrick Kuo, consultor de TI da área de Washington, nos EUA, existe uma questão relevante a ser observada. Trata-se da qualificação dos gestores de sistemas virtualizados. “Por vezes, os profissionais selecionados, para dar conta da configuração e da administração dos servidores e das instâncias virtualizadas, não dominam as técnicas necessárias ao cumprimento dessa tarefa”, conta.

Assim que problemas de desempenho começam a surgir nas fazendas de servidores, basta os administradores adicionarem máquinas extras ou contratar bandas de maior largura. Mas tal solução implica em custo e em planejamento logístico. “É tarefa das mais complicadas”, afirma.

Essas circunstâncias não acontecem em plataformas virtualizadas. Por não serem limitadas em vários aspectos. Engenheiros e planejadores de data centers virtualizados precisam distribuir a estrutura, levando em consideração vários detalhes antes ignorados. Se tiverem experiência limitada à gestão de sistemas de dados e não tiverem sólidos conhecimentos referentes à gestão de aplicativos e de redes, pode haver sérias complicações para a empresa contratante.

Segundo Kuo, um de seus clientes, a Daily Caller, demandou uma configuração especializada para atingir o desempenho esperado. “Tivemos de planejar uma arquitetura Tier 4 para melhorar o desempenho do sistema. As camadas são divididas em cachê  (1ª), serviço de aplicativos (2ª), web (3ª) e uma base de dados replica de forma a dar maior segurança a toda a operação. O Tier 4 é uma camada voltada aos editores e produtores de conteúdo, e não tem qualquer vínculo com a produção.

É bastante comum desenvolver arquiteturas com vários níveis, principalmente em data centers e no design de aplicativos de uso corporativo. Ainda assim, essa arquitetura é, normalmente, executada em segundo plano e atendida pelo gerente de virtualização da empresa.

Ocorre que manter o foco na avaliação do desempenho de servidores, em vez de apreciar o panorama geral, confere ao hardware um peso injustamente grande na equação. É sugerido que seja observada a performance conjunta das funções cumpridas pelos stacks nos data centers e remover o foco restrito ao hardware.

“As pessoas têm mania de não otimizar plataformas virtualizadas, sendo que, especialmente no caso das corporações é necessário que se entre nos detalhes. Você deve monitorar o funcionamento das instâncias em situações de determinadas cargas de trabalho e observar os diferentes segmentos para avaliar qual seria o cenário em eventuais aumentos de 10% na carga de processos. Assim que evidenciar uma camada deficiente, vale reservar recursos para supri-la de forma preventiva”, recomenda Kuo.

6. Virtualização não vem sozinha

Phil Hochmuth, gerente do programa de produtos de segurança da IDC, avisa que não há servidor virtualizado igual a outro. “Mesmo assim, qualquer operação que seja efetuada em um servidor deverá ser repetida em outro  ou em todos”, diz Hochmuth.

“Uma maneira bastante comum de monitorar servidores físicos, consiste em instalar clientes de softwares bem leves para dar conta da geração de relatórios com informações sobre desempenho enviadas para o console principal”, sugere. “No caso de servidores virtualizados, essa operação implica na instalação de um agente no servidor físico e outro na instância virtualizada”, completa.

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Fonte: Originalmente publicado por CIO/EUA em 30 de janeiro de 2012 às 07h29