abr
25
2012

Mobilidade impulsiona virtualização

A mobilidade, que sempre foi atraente, agora é um vício corporativo. Difícil não ser enredado pelas suas facilidades. Quem ainda não se rendeu aos encantos de gerenciar e-mails, finalizar planilhas, compartilhar informações, tomar decisões, enfim, tornar mais ágeis as tarefas profissionais a qualquer hora ou lugar?

Indiscutível a sua influência no atual desenho do ambiente de TI, dizem uníssonos analistas do setor. Segundo eles, é um caminho sem volta que contaminou e tornou dependentes executivos e colaboradores de empresas de variados setores da economia nacional.

A ponto de quebrar a linha, embora tênue, mas que separava o uso de dispositivos móveis profissional do pessoal, resultando em um fenômeno chamado consumerização – caracterizado pela utilização de tecnologias pessoais no ambiente de trabalho. “Hoje, é praticamente impossível viver sem acesso à internet, smartphone ou qualquer equipamento móvel”, diz Afonso Coelho, gerente-executivo da consultoria PricewaterhouseCoopers.

Mas o que a mobilidade tem a ver com a virtualização? É uma das suas principais impulsionadoras. Afinal, a consequente complexidade do gerenciamento e da segurança do novo cenário levou gestores de TI a rever processos e a admitir que algo precisaria ser feito para colocar novamente os trens nos trilhos. A velha e conhecida virtualização emergiu como alternativa viável.

“Ao proporcionar um ambiente centralizado, ele torna-se mais controlado e, portanto, também mais seguro. Por essa razão, a virtualização cai como uma luva na atual demanda”, diz Ricardo Chisman, diretor da área de Consultoria e Tecnologia da Accenture.

É muito simples e rápido bloquear um smartphone que acessa a rede corporativa em um ambiente virtual, segundo Bruno Arrial dos Anjos, analista sênior de Mercado da Frost & Sullivan. “Ele é apenas uma carcaça para acesso. Nada está nele, tudo é processado na nuvem, portanto, é muito seguro.”

Por conta dessa febre por mobilidade é a hora e a vez da virtualização de desktops, a VDI (Virtualization Desktop Infraestructure) – um dos caminhos que possibilitam levar o desktop, de qualquer lugar, para o tablet ou o netbook, por exemplo. Mais uma demanda em ascensão no universo do usuário móvel.

Nesse quadro, a virtualização de aplicações dá o tom, trabalhando em conjunto com a VDI. “Por meio de um aplicativo simples, já disponível no mercado, instalado no smartphone ou tablet [com qualquer sistema operacional], é possível rodar ou acessar todos os aplicativos que estão no servidor corporativo, virtualizando o processamento”, descreve Bruno da Frost. “Não é necessária robustez no dispositivo, pois, na realidade, você não precisa baixar o aplicativo, e sim, a imagem. É uma emulação”, acrescenta.

Carlos Eduardo Calegari, analista de Software da consultoria IDC, lembra que o mercado de virtualização de servidores já está amadurecido e, com certeza, serve de esteira para VDI. Ele aponta que a VDI deu um salto em crescimento no Brasil de 3% em 2009 para 23% em 2010. E embora ainda não tenha finalizado as análises de 2011, a estimativa é de fechar com incremento de 11%. “Totalizando movimentação de 50 milhões de dólares em solo nacional, somente com licenças de software”, revela.

A indústria vem avançando em VDI, mas ainda há obstáculos, embora mais amenos do que há dois anos, na avaliação de Calegari. “Gargalo da banda larga no Brasil e infraestrutura de rede inadequada são alguns deles”, destaca.

O executivo assinala as fortes presenças no front desse mercado da Citrix, VMware e Microsoft. Esta última afiou suas garras nessa briga com o lançamento do Windows Server 8, recheado de recursos de VDI. A cadeia de negócios em virtualização é bastante interessante, é preciso estar atento, pois muitas vezes um parceiro pode ser um concorrente em alguns momentos, ou ser aliado do oponente no tatame de outros negócios.

Trabalho móvel 
Uma outra alavanca da virtualização é a tendência galopante do modelo de trabalho móvel. Especialmente nos grandes centros urbanos, tem sido opção estratégica para empresas que têm obtido resultados favoráveis em produtividade com funcionários remotos, quando eliminam, entre outras agruras, os congestionamentos no trânsito, além de promover qualidade de vida.

Por conta disso, a virtualização de desktop deve registrar aumento significativo na demanda nos próximos dois anos. É o que mostra pesquisa global divulgada no ano passado pelo instituto de pesquisas Vanson Bourne, a pedido da Citrix.

Segundo o estudo, até 2013, 55% das companhias pesquisadas esperam implementar pela primeira vez virtualização de desktops e 86% citam segurança como um dos pontos fortes da tecnologia. Dos executivos de TI que pretendem aderir à virtualização de desktops até o final de 2013, 95% acreditam que a tecnologia é um meio eficiente de proteger informações.

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Fonte: Originalmente publicado por COMPUTERWORLD em 25 de abril de 2012 – 07h30