abr
26
2012

Empresas usam virtualização para ganhar competitividade

Mobilidade é palavra de ordem na Polícia Militar de São Paulo. Depois da experiência bem-sucedida com a virtualização de servidores, há três anos, eliminando mainframes e servidores RISK, agora parte para a virtualização de desktops (VDI).

Para o coronel Alfredo Deak Júnior, diretor de Tecnologia da PM de São Paulo, a VDI, além de possibilitar a realização de atividades a qualquer lugar e hora, permite aos comandantes executá-las de forma eficiente, mais interativa.

A tecnologia vai ajudar a aprimorar a ação da PM de São Paulo, que recebe 180 mil ligações telefônicas diárias no call center. Elas geram perto de 36 mil despachos ou empenho de patrulhas em campo. Com isso, são mais de 40 milhões de ações policiais registradas por ano nos bancos de dados da PM. “Temos perto de 10 milhões de vistorias de veículos por mês e todas essas informações são armazenadas em nossos bancos de dados”, contabiliza.

Nesse cenário de responsabilidades diárias com a população, a PM necessita sobremaneira de mobilidade. Para isso, entre as 37 mil máquinas que as apoiam, conta com notebooks e tablets, interligados nas viaturas, em tempo real, à essa infraestrutura, com mais de 2 mil links de comunicação de dados. Um ambiente virtualizado capaz de facilitar o acesso a cerca de 2 milhões de fotografias dos 500 mil criminosos do estado de São Paulo.

“Hoje, o usuário para se comunicar com a central tem de habilitar uma VPN, depois autenticar-se na rede e isso demanda muito tempo. Com a VDI, farão uso do IPv6, e os dados dos notebooks serão criptografados de forma automatizada, sem a necessidade de interação ou suporte técnico”, relata Deak, acrescentando que a redução de tempo será radical. “Esse novo mundo vai facilitar muito o trabalho de gestão da TI.”

Segundo o coronel, todos os notebooks dos comandantes serão virtualizados e os equipamentos de atendimento de emergência e críticos do 190 e 193 migrarão para thin clients também virtualizados.

As tecnologias que protagonizam o ambiente virtualizado são a VDI da Microsoft, para os notebooks, e o Citrix MetaFrame, da Citrix, que suporta o atendimento de emergência dos serviços 190 e 193.

“São 8 mil dispositivos dos comandantes e pretendemos virtualizar 100%. Atualmente, um robô está fazendo a formatação dos notebooks e ele reinstala o Windows e o software de virtualização, faz bloqueio e proteção de portas USB e os conecta à nova estrutura de rede”, diz, acrescentando que essa operação começou em março, inicialmente envolvendo 2 mil notebooks. “A expectativa é finalizar todo o processo até abril.”

Na avaliação do coronel, é muito importante a interação entre os comandantes, estabelecendo comunicação de maneira segura e ágil. Eles usam os notebooks para planejamento e inteligência policial em reuniões semanais. “Precisam acompanhar, em tempo real, as operações e o andamento das suas atividades operacionais.”

A PM está utilizando várias ferramentas do System Center do Windows, da Microsoft, para que a avaliação dos ativos seja remota. Segundo eles, é para garantir a automação do inventário. E irão mais além. Com VDI, eliminarão os desktops, afirma Deak. “Nessa primeira fase, já eliminamos 4 mil.”

Alguns comandantes já estão desfrutando da vantagem de ter seus desktops emulados em seus dispositivos móveis. Nas viaturas, são usados tablets que rodam Android, o MXT, da Maxtrack. Os cerca de cem coronéis, integrantes do primeiro escalão da instituição, usam iPad 2 e iPhone 4. Outros tablets atendem a 100% da frota. São nada menos do que 13 mil dispositivos móveis na PM, entre tablets e smartphones.

Os tablets, que já figuram na PM há cerca de um ano, são usados para ajudar no planejamento, e auxiliam muito o trabalho dos coronéis, que têm menos tempo e necessitam do máximo de mobilidade. “Os comandantes foram os primeiros a contar com virtualização de desktops, utilizamos software no próprio iPad para acessar o Windows remotamente, de maneira virtualizada.”

Há três anos, quando a PM ingressou na tecnologia com a virtualização de servidores, a experiência, que reduziu significativamente o número de servidores físicos, além do mainframe e RISK, serviu de esteira para que ousem em implementar VDI e se estender para os dispositivos móveis.

Hoje, são cerca de 300 servidores virtualizados em 48 servidores físicos de médio e grande portes, que suportam o atendimento de emergência, gestão administrativa, inteligência policial, entre outros processos.

Deak lista uma série de benefícios que conquistou com a nova arquitetura. Ele diz que agora possuem um ambiente estabilizado. “Nosso trabalho é crítico, porque os atendimentos do 190 e do 193 não podem parar. A padronização e a redução da complexidade aprimoraram a estabilidade da infraestrutura, ganhamos escalabilidade. Hoje, criar servidores virtualizados, expandir e balancear carga de processamento são tarefas bem simples e rápida”, relata.

Reed Exhibitions Alcantara Machado
Em geral, as empresas ingressam na tecnologia virtualizando servidores. Depois de desfrutar das inúmeras vantagens, e, mais experientes, é comum partirem para a virtualização de desktops (VDI). Na Reed Exhibitions Alcantara Machado foi diferente. Desde 2008, por ser uma empresa organizadora de eventos de negócios e consumo em todo o País, dependente de mobilidade para agilizar processos, partiu direto para VDI. A integradora ADD IT foi responsável por ajudar a empresa a ingressar com segurança em virtualização de desktops, uma aplicação ainda bastante tímida na ocasião.

Dessa forma, a organizadora de eventos passou a contar com uma estrutura de comunicação itinerante em todos os eventos, tendo disponíveis informações estratégicas em real time para todo o staff.

Antonio Américo Viana Cabral Júnior, CIO da Reed, afirma que a VDI está no DNA da companhia, desde a joint venture entre a Reed Exhibitions e a Alcantara Machado Feiras de Negócios, que aconteceu em 2007. “Percebemos que a virtualização iria proporcionar a flexibilidade que temos até hoje. Em 2008, já tínhamos 100% dos nossos dsktops virtualizados”, diz. Somente entre 2009 e 2010 é que 50% do parque de servidores foi virtualizado, concluindo o processo em 2011.

Montar e desmontar a infraestrutura de comunicação nos eventos, práticas comuns na empresa que organiza feiras tradicionais como Agrishow e Salão do Automóvel, hoje são tarefas fáceis. São thin clients, da Wyse, virtualizados, capazes de trazer até os usuários seus desktops, em qualquer lugar onde esteja acontecendo o evendo. “É um escritório itinerante. E garante total produtividade do nosso time composto por 30 a 45 pessoas que trabalham na organização”, diz Cabral Júnior.

A tecnologia de virtualização é Citrix e, segundo o CIO, proporciona benefícios como melhor gerenciamento da rede, menor custo operacional, redução drástica dos chamados no help desk e um ótimo ROI (retorno do investimento), em razão de estender a vida útil do hardware a até dez anos, em vez de cinco anos, com máquinas tradicionais.

“No primeiro ano, o investimento é maior. Mas com o passar do tempo, esse custo é diluído em razão dos ganhos como redução do consumo de energia elétrica e de custos com help desk”, garante o executivo.
Para servir ao parque de thin clients, a Reed investiu fortemente na modernização do seu data center. “Precisamos mantê-lo atualizado para que todas as aplicações rodem de maneira eficiente e garanta alta disponibilidade, fundamental no nosso negócio”, diz Cabral Júnior.

A virtualização tornou tão simples o processo de organização dos eventos, em especial o acesso e a troca de informações, que o CIO nem mesmo tem ideia de como seria construir uma estrutura com um ambiente tradicional, com desktops físicos. “Nascemos dessa forma, com uma infraestrutura muito leve, prática e ágil. Tudo em razão da VDI”, finaliza.

Irmãos Fischer 
A indústria metalúrgica catarinense Irmãos Fischer, fabricante de eletrodomésticos, bicicletas e equipamentos para construção civil, também rendeu-se às vantagens da virtualização. A estratégia incluiu a virtualização da infraestrutura de TI com as soluções VMware ESX Standard e VMware View. A decisão foi tomada com base na necessidade de adequar os recursos de TI ao crescimento orgânico, de produção e de demanda por processamento, armazenamento de dados e aplicações robustas.

Marcos Antonio Popper, gerente de TI da Irmãos Fischer, afirma que a virtualização proporcionou redução de gastos de consumo de energia, otimizou o uso do espaço físico, melhorou a infraestrutura e permitiu a capacidade de expandir plataformas de TI.

“Cada servidor ou desktop passou a utilizar os recursos de memória e disco necessários para o processamento das aplicações. Quando não usam os recursos, podem ser compartilhados com outros equipamentos virtuais, situação que não acontecia na estrutura anterior, de máquinas físicas. Sem falar da economia de energia, espaço, centralização e monitoramento de todo ambiente em um só console”, explica o executivo.

Quando a indústria começou a perceber o crescimento de demanda de processamento, reavaliou a infraestrutura de servidores descentralizados. O desenho anterior mantinha dois servidores DL 385 em rack, baseados em plataforma Linux, com banco de dados Oracle; um servidor DL 360, apoiado em OS Windows para o BI; um servidor Proliant ML350 para aplicativos; um Proliant ML350 para base de testes; e um TC2120 servidor WTS.

Ao adotar as soluções VMware ESX Standard e VMware View com o apoio da consultoria da Sercompe Business Technology, a Irmãos Fischer centralizou sua infraestrutura em um só data center configurado com quatro servidores físicos e dez virtuais em lâminas Blade. Antes, havia os sistemas administrativos, de aplicações e de ERP e BI, distribuídos em seis servidores.

A possibilidade de virtualizar os desktops é outra vantagem apontada por Popper, que tem planos de expandir o número de desktops virtuais para 70 em curto período.

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Fonte: Originalmente publicado por COMPUTERWORLD em 26 de abril de 2012 – 07h30