ago
21
2012

Volumes enormes de dados não são novidade

Em uma era de abundância de informações, há mais dados disponíveis do que é humanamente possível processar ao longo da vida. Parte desses dados nós tempos que gerenciar, como é o caso dos e-mails, das redes on-line e dos amigos virtuais; o resto nós temos que procurar. Mas será que as coisas passaram dos limites? Será que essa nova riqueza de informações não começou a nos fazer sentir estressados em vez de fortalecidos? Será que estamos sofrendo da “sobrecarga de informações”?

É certo que processar volumes tão grandes de dados é um enorme desafio, mas não podemos esquecer que as gerações passadas experimentaram temores parecidos com a chegada do telefone, da TV e dos computadores. Mesmo antes disso, nossos ancestrais já reclamavam do constante aumento da produção de informações, e tentavam encontrar maneiras de filtrar e controlar essa enxurrada. Parece que toda geração precisa acreditar que vive uma sobrecarga de informações.

Uma avalanche de textos impressos
A referência mais antiga a esse problema provavelmente está na Bíblia: “Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne.” De forma semelhante, no primeiro século depois de Cristo, o orador e escritor romano Sêneca, o Velho, comentou que “a abundância de livros é uma distração”. E em 1255, em um exemplo bastante precoce de “curadoria”, o frade dominicano Vicente de Beauvais tentou criar um filtro de informações compilando em um livro de 4,5 milhões de palavras os pontos de destaque de todos os livros que ele havia lido.

A invenção da prensa tipográfica em torno de 1450 gerou uma súbita avalanche de material impresso, o que levou a uma rápida e maciça mudança social: os índices de alfabetização cresceram, e a leitura foi se tornando parte essencial da educação e da comunicação, além de um passatempo. Se antes as pessoas viviam uma “carência de informações”, de uma hora para a outra havia uma enxurrada de material impresso disponível a todos que fossem capazes de ler.

Mas ainda que isso tenha sido uma bênção para a grande maioria das pessoas, outras se sentiram ameaçadas; dizia-se na época que as pessoas se afogariam em uma “furiosa enxurrada” de informações. O cientista alemão Gottfried Leibniz (1646–1716) chegou a temer um retorno ao barbarismo, “com o qual essa horrível massa de livros que continua crescendo pode contribuir muito”[1].

E não parou por aí.

Uma ameaça à ordem mundial?
Em 1876, um artigo do New York Times expressou os temores de que o recém-inventado telefone poderia levar “música e pastores” aos lares através de cabos telegráficos, esvaziando as salas de concertos e igrejas, já que ninguém mais teria que sair de casa. Depois foi a vez da televisão e dos computadores representarem uma ameaça à ordem mundial: em 1971, a revista The Futurist explicou que os computadores logo seriam capazes de armazenar informações a uma taxa de 12 milhões de palavras por minuto, o que “colidiria violentamente com a capacidade humana de processar informações”. O artigo concluía perguntando “onde isso vai parar?”

Quarenta anos depois, contamos nossas informações digitais em “yottabytes” que exibem colossais 24 zeros à direita. Em poucos dias, podemos criar mais informações do que já se produziu desde o início dos tempos. A internet aumentou ainda mais o acesso às informações, e as tornou interativas: nós não só recebemos informações, como as retransmitimos constantemente em fóruns de mídias sociais, e-mails encaminhados, blogs e todas as outras plataformas que disseminam informações. E tanta informação precisa ser mantida vigorosa, atualizada e relevante para não se tornar redundante rapidamente.

Mas qual parcela dessas informações é realmente relevante? Como ter certeza de sua precisão? Será que estamos tomando decisões ruins com base em informações inadequadas ou capciosas? E no fim das contas, será que mais informação é mesmo sinônimo de mais conhecimento?

O acesso a uma rica variedade de informações
Nosso desafio no século 21 é o de descobrir, coletar e apresentar o conteúdo digital em um processo interminável que hoje chamamos de “curadoria de conteúdo”, estabelecendo a diferença entre informações novas e de qualidade e informações desnecessárias. Uma curadoria eficaz cria conteúdo, recebe colaborações de braços abertos e coleta links e artigos da web. Ao encontrar uma coleção de qualidade e bem cuidada, o leitor se torna fiel ao site.

O ato de complementar nossas ideias originais com as de pessoas de mentalidade semelhante contribuiu para a criação de uma inteligência coletiva infinitamente superior à soma de suas partes. Essa abundância de informações é uma vantagem enorme para nossa sociedade, e não podemos nos esquecer de uma coisa: nós temos escolha. Ninguém está nos forçando a ler ou consumir tudo o que estiver disponível. Mas essas informações existem, e podemos ter acesso a elas quando quisermos. Nesse sentido, nós só temos a ganhar.

[1] Phil., VII, 160; cf. Memoir for Enlightened Persons of Good Intention (Foucher de Careil, A, 286).

.

Fonte: Originalmente publicado por HP Technology at Work em agosto de 2012