set
28
2012

Vida do CIO vem ficando menos tranquila com as megatendências de TI

Se a vida do CIO não foi tranquila, ela vem ficando menos ainda com as megatendências de TI como mobilidade, social business, cloud computing, consumerização e Big Data. Elas têm gerado uma grande transformação nas empresas, na maneira como elas fazem negócios e na forma como TI é gerenciada.

Nunca foi tão fácil para uma área de negócios autoservir de tecnologia, caso a área de TI não esteja pronta para atendê-la no prazo e custos esperados. Assim, TI terá de ser muito mais eficiente e o seu gestor, um verdadeiro herói da resistência, tendo de saber muito bem como alavancar essas novas tendências e evitar os riscos que elas geram.

Na pesquisa realizada, quase metade dos CIOs entrevistados mostrou algum grau de preocupação com as áreas de negócio “autoservirem” de soluções de TI. Nesse contexto, aparece o tema consumerização de TI. Atualmente, mais de 75% dos tablets e 45% dos smartphones usados nas empresas são de propriedade dos funcionários.

Esse assunto vem deixando muitos CIOs desesperados. Nada menos do que 70% deles se mostraram preocupados com esse assunto. Muitos acreditam que o fenômeno tem potencial de gerar ganhos para a empresa. Contudo, mais da metade apontou que ela aumenta, e muito, a exposição a riscos de segurança e vazamento de informações.

Big Data é uma das tendências. Contudo, é a mais distante da realidade da maioria das empresas no Brasil. Somente 10% dos CIOs apontaram que estão dando tratamento a dados não estruturados. A verdade é que muitas empresas ainda sofrem para lidar estrategicamente com os dados estruturados, e Big Data ainda é um sonho bem distante.  Cloud computing, por outro lado, já é uma realidade. É certo que é pouquíssimo comum ver projetos e sistemas transacionais estratégicos migrando para cloud, mas é cada vez mais usual sistemas periféricos sendo movidos para essa direção.

Outra preocupação do CIO é a dificuldade de reter talentos e achar funcionários qualificados no Brasil. Eles ficaram muito caros, e há casos em que custam mais do que seus pares norte-americanos e europeus.

Isso vem frustrando planos de muitos gestores de TI de multinacionais que gostariam de aumentar sua influência na organização, por meio da absorção de projetos globais. A pesquisa IT Leaders deixa bem claro que a vasta maioria dos CIOs amarga a falta de mão de obra no País, e a principal dor é achar profissionais qualificados. O triste é que quando eles os acham, geralmente querem ganhar mais do que a empresa orçou para a posição.

Para 2013, a IDC trabalha com dois possíveis cenários. O primeiro, e o mais provável, é que a crise nos países desenvolvidos continuará presente, mas seguirá em “banho-maria”, e a economia brasileira voltará a achar o seu rumo de crescimento.

Esse é o quadro, aliás, que a maioria dos CIOs que respondeu a pesquisa acredita, pois 70% deles apontaram que os seus orçamentos de TI crescerão no próximo ano, contra somente 9% que diminuirão. O segundo horizonte é bem mais cinza, e aponta para o derretimento enorme da economia mundial provocada pelo agravamento da crise europeia.

Sobrará para todo mundo, e o Brasil também será fortemente golpeado. Apesar de pouco provável, a possibilidade existe, e nesse caso provavelmente viveremos novamente um momento de aperto orçamentário, revisões de contratos etc.

O lado bom de trabalhar com TI é que mesmo em um cenário econômico ruim, boa parte das empresas continuará a investir em tecnologia para automatizar processos e compensar corte de pessoas, com o objetivo de aumentar suas eficiências e melhor atender aos clientes, além de aprimorar inúmeras outras funções para combater as crises. Haja resistência!

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Fonte: Originalmente publicado por ComputerWorld em 28 de setembro de 2012 – 07h00