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21
2012

TI: horizonte próspero para 2012

O mercado de TI tem prognósticos positivos de crescimento para os próximos anos, segundo dados da IDC. Estima-se que, mundialmente, o setor de TIC alcance US$ 5 trilhões até 2020, US$ 1,7 trilhão a mais do que o acumulado nos dias atuais. Essa ampliação deve ocorrer pela expansão da chamada terceira plataforma de tecnologia e inovação, o que, segundo Mauro Peres, presidente da IDC Brasil, levará os CIOs a elegerem a governança em TI como prioridade.

“Será um mercado mais fragmentado, o que vai demandar mais investimento em gestão. Eles vão gastar energia e recursos para organizar a casa e atender as necessidades dessa nova plataforma”. Nessa realidade, incluem-se a consolidação de tendências como cloud computing, big data, consumerização, mobilidade, entre outras. Para 2012, espera-se um crescimento do mercado de até 4,9%.

De acordo com a IDC, o mercado brasileiro de TI segue na trajetória ascendente, crescendo o dobro do mundial. Para esse ano, as expectativas são otimistas. “O que pode vir a frear isso são reflexos de novos problemas com a crise europeia. Mas mesmo que isso se agrave, o setor se sairá bem”, diz Peres. Os números mostram essas expectativas. Para o setor de TI como um todo, espera-se um crescimento de 8,8% em 2012; para o segmento de hardware, 7,2%; software, 8,6%; serviços, 11,1% e no setor de serviços de telecom esse índice deve chegar a 7,2%. ´

“A maioria das empresas do mercado tem metas de crescimento acima de 10% para esse ano. Muitas delas esperam duplicar suas operações no País nos próximos três anos”, diz o presidente. Para ele, o Brasil virou um pólo de atenção por parte dos executivos estrangeiros que estão em busca de explorar o potencial do país.

Na área de consumidor final, o levantamento do IDC aponta a continuidade do crescimento do número de dispositivos de comunicação. Em metade das residências particulares há a presença de um PC. Segundo o estudo, serão vendidos 17,6 milhões de computadores nesse ano, voltados também para o universo corporativo. Quanto aos dispositivos móveis, o destaque fica por conta dos smartphones, cujo volume de comercialização deve chegar a 15,5 milhões de unidades, chegando próximo ao mercado de computadores.

Serviços

Quando o assunto é serviços de telecom, Diego Anesini, gerente de Pesquisas em Telecom do IDC, diz que está havendo a adoção de melhores ferramentas de comunicação e colaboração, como Skype e VPM que irão trazer mais eficiência e produtividade aos funcionários. Outro ponto nesse sentido está ligado às formas inovadoras de guardar composições de dados. “As empresas vão começar a olhar para novas opções nesse sentido, como o Dropbox e o Youtube”’.

Redes sociais

Nesse aspecto, a presença das redes sociais é algo que não tem volta. Para as empresas, de acordo com Anesini, as corporações estão entendendo que esse é um caminho eficiente para conhecer a opinião de seus clientes a respeito de seus produtos e serviços, além de suas exigências.

Consumerização

Outro fenômeno apontado como megatendência para os próximos anos é a consumerização, que vai tomar cada vez mais espaço nas empresas. No ano passado, a IDC fez um estudo que apontou que 42% dos funcionários das empresas utilizam seus próprios dispositivos móveis para acessar dados corporativos. Para 2012, a previsão é que esse índice suba para 50%. “A consumerização não vai crescer somente em quantidade. O impacto disso será na necessidade de se fazer um gerenciamento de dispositivos em relação à questão da segurança”, destaca o executivo.

Esse gerenciamento vai estar nas mãos dos gerentes de TI, segundo Celia Sarauza, gerente de pesquisas de enterprise da IDC. “Se o usuário não tiver ferramentas que garantam o acesso seguro, pode colocar a empresa frente a uma grande vulnerabilidade. A disposição de dados acessados e transmitidos fora do ambiente de trabalho apresenta risco de perda ou roubo de dados sensíveis da companhia”.

Rede móvel

De acordo com o levantamento da IDC, os dados móveis continuarão a crescer exponencialmente. O mercado irá superar R$ 13 bilhões em faturamento nesse ano. Os serviços de dados devem responder por 27% do total de serviços móveis em 2012. Para se ter uma ideia, o uso médio mensal de dados em dispositivos pré-pagos supera 1 Gb . Um dos destaques nesse sentido está ligado ao móbile payment, que dará seus primeiros passos em relação à sua ampliação. Além disso, há uma grande expectativa quanto à adoção da tecnologia 4G, o que deve acontecer em 2013. “O desafio está em ter dispositivos e uma banda larga de alta frequência”, diz Anesini.

Cloud Computing

O ano de 2012 inaugura uma nova fase para a nuvem pública, segundo a IDC. “O mercado vai amadurecer e transmitir mais confiança para as empresas”, explica Mauro Peres, presidente da IDC. Segundo ele, 50% das companhias vão ter seu primeiro contato com cloud computing esse ano. “Em 2010, 55% delas diziam não ter nenhum plano de investir em nuvem. Hoje, a adoção da nuvem pública não se resume somente a soluções de CRM ou e-mail corporativo. Já suporta ferramentas mais complexas”.Para as PMEs, o cloud computing é uma grande promessa. “As ofertas vão se tornar mais maduras e ajustadas às necessidades do perfil dessas empresas”, diz Peres.

De acordo com a avaliação, 60% do mercado entendem as ofertas de serviços de nuvem. Por isso, espera-se um crescimento de 67,1% para o mercado de IaaS, 77,9% para o setor de SaaS e 52,5% para o de PaaS, o que deve incrementar o crescimento das receitas de nuvem pública no Brasil. E a capacidade de processamento vai aumentar com a entrada das operadoras com mais agressividade para oferecer serviços de cloud computing.

Data Center

Outro segmento que se mantém em rota ascendente é o de data center, com uma elevação de 13% em suas receitas em 2012. Os investimentos por parte das empresas continuam em alta. Segundo o levantamento do IDC, 45% das companhias que possuem data center vão ampliar a área em 2012. “Isso vai demandar uma maior oferta de serviços de cloud computing”, enfatiza Peres. E novamente as PMEs aparecem como um dos grandes incrementos para esse mercado. “Os contratos de serviços serão compostos de acordo com o modelo de negócio de cada empresa”.

Big Data

Universo em larga expansão, o Big Data tem grandes desafios pela frente, na visão do IDC. Um deles está ligado ao gerenciamento do grande volume de dados gerados pelas empresas. “Hoje há uma grande variedade de fontes de dados e diversidade do tipo de dados. E o volume de informações armazenadas não para de crescer. A questão é administrar o ciclo de vida do dado e trazer essa variedade para dentro de BI e garantir a agilidade nas análises”, explica Carlos Calegari, analista de software da IDC.

Mais da metade das empresas não conseguem avaliar quais aspectos serão mais críticos para o negócio, e, por consequência, não têm iniciativa em relação à Big Data. “Há muito campo para ser trabalhado nesse sentido. Para os fornecedores, isso se traduz em suporte ao cliente, pois ele vai precisar”, enfatiza o analista.

Copa do Mundo

A Copa do Mundo também vai movimentar os investimentos em TI nos próximos anos. A criação do centro de treinamento digital, exigido pela FIFA, será um dos grandes impulsionadores do aumento da venda de servidores e storages, de acordo com o IDC, para abastecer os centros de monitoramento de cidades que terão que armazenar e processar uma grande quantidade de imagens.

Serviços e telecom serão os dois segmentos que vão trazer um volume maior de oportunidades para o setor de TI movido por essa demanda. “Em TI, o governo irá priorizar e estimular a adoção de soluções inteligentes para o transporte, segurança e energia”, conclui Mauro Peres.

Sobre o autor: Luis Abud