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31
2010

Integração vira barreira para projetos de Cloud Computing

Um número crescente de empresas estuda a adoção da computação em nuvem (cloud computing), por conta da possibilidade de redução de custos e mais flexibilidade na gestão do ambiente de TI. No caso do setor de varejo, por exemplo, muitas corporações aderem ao modelo como uma alternativa para obter capacidade extra de processamento para as transações nas épocas de pico das vendas. Já o segmento de serviços financeiros tem contratado a infraestrutura na nuvem para testar o desenvolvimento de novos sistemas, a custo reduzido.

À medida que a computação em nuvem evolui, no entanto, as empresas se deparam com questões pouco exploradas, como a necessidade de integrar os diferentes ambientes de TI. Isso porque, as perspectivas são de que as corporações atuem, cada vez mais, com modelos híbridos, nos quais sistemas instalados no data center da companhia conversem com fornecedores terceirizados e com provedores de cloud computing. “O que faz da integração o aspecto mais importante da nuvem”, afirma a presidente da consultoria Hurwitz and Associates  e autora do livro Cloud Computing for Dummies, Judith Hurwitz.

Até o momento, no entanto, não existem padrões para a integração de sistemas de computação em nuvem. O XML talvez seja a maneira mais simples de mover dados de um ambiente baseado na web para outro. Mas muitos CIOs que começam a se aventurar em cloud computing terão de interligar sistemas na internet com outros que não estão online, fazendo um mix de ambientes locais e na nuvem. O que representa um desafio equivalente aos esforços empreendidos, há cerca de uma década, para conectar o legado a aplicativos web.

Os veteranos daqueles tempos e os responsáveis pelas recentes implementações de software como serviço (SaaS) têm uma ideia dos desafios de integração que serão trazidos com cloud computing. Entre eles, fazer experiências com diferentes APIs (Application Programming Interface ou interface de programação de aplicações); não ficar refém das interfaces proprietárias de um único fornecedor de nuvem; e testar essas soluções exaustivamente.

“Além disso, os fornecedores que estão se destacando como grandes players  Amazon e Google, por exemplo  não possuem a experiência necessária para atender clientes corporativos”, explica Judith Hurwitz.

O primeiro caminho que precisa ser adotado pelos gestores de TI é entender melhor os fornecedores de cloud computing, que nem sempre estão dispostos a revelar muito sobre seu funcionamento interno, alerta Marty Colburn, CTO da Financial Industry Regulatory Authority (Finra), que fiscaliza as corretoras de títulos e valores mobiliários nos Estados Unidos. O executivo relata que teve uma experiência malsucedida quando tentou migrar o sistema de e-mail da companhia para a nuvem.

Marty conta que a integração se tornou um problema para o projeto, quando decidiu especificar algumas condições. Como exemplo, o CTO cita que, no caso de uma auditoria de conformidade regulatória, a equipe de TI da Finra precisaria acessar rapidamente os e-mails arquivados, utilizando, para isso, suas próprias ferramentas de extração. Contudo, os fornecedores de cloud computing consultados não revelaram detalhes sobre sua arquitetura, com a alegação de que não gostariam de revelar segredos para os concorrentes. “Sem isso, como poderíamos fazer a integração?”, questiona o executivo, que acrescenta: “A ideia não era comprar uma caixa preta.”

Com tantas questões nebulosas, a saída encontrada por muitos CIOs é adiar a utilização dos serviços em nuvem, até que integrá-los se torne um processo simples. Na prática, contudo, as coisas não funcionam assim. Qualquer funcionário pode trazer aplicativos SaaS para dentro da empresa. Para isso, basta um cartão de crédito e a vontade de burlar a TI, afirma Don Goin, CIO da financiadora de veículos Santander Consumer, uma divisão do banco Santander que fatura 18,7 bilhões de dólares.

No ano passado, alguns funcionários do departamento de marketing da Santander Consumer instalaram ferramentas de CRM (gestão do relacionamento com clientes) da Salesforce.com, baseadas em SaaS. Embora não estivessem nos planos imediatos de Goin, as soluções foram absorvidas rapidamente pelos profissionais da companhia e “eu deixei”, admite o CIO.

Ele conta que, na sequência, outro grupo de pessoas da empresa iniciou o uso da plataforma de desenvolvimento Force.com, em cloud computing, para criar ferramentas de business intelligence personalizadas e que não estavam em conformidade com os padrões vigentes na companhia. O que levou a uma intervenção da equipe de TI da Santander Consumer, com o intuito de alinhar esses projetos com as demais iniciativas de BI da companhia.

“Temos padrões de tecnologia nas nossas dependências. Na nuvem, não existe nada disso”, ressalta Goin. “Se os usuários da área de negócios adotam esse tipo de solução, nós, CIOs, somos desafiados a descobrir um meio de integrá-la ao resto do nosso ambiente”, detalha o executivo. Ele ressalta que, para evitar contratempos, os usuários internos precisam estar cientes da complexidade dessa integração.

O CIO da Santander Consumer enxerga um paralelo entre a computação em nuvem e os primórdios da tecnologia cliente-servidor, quando os usuários corporativos podiam comprar uma nova ferramenta de desenvolvimento para criar um software, sem ajuda ou conhecimento da equipe de TI. “Eu trabalhava na companhia aérea Southwest Airlines naquela época e não era incomum um piloto ir para casa, desenvolver um aplicativo de escala de tripulantes com o PowerBuilder e dizer que queria implementá-lo para todas as pessoas da companhia”, lembra Goin. Ainda de acordo com ele, inevitavelmente, isso virava um problema para o departamento de tecnologia da informação.

Até mesmo quando o cloud computing faz parte do plano oficial da companhia, surgem obstáculos inesperados, em especial, pelo fato de grande parte dos sistemas legados com os quais os aplicativos de nuvem precisam se comunicar não ter sido desenvolvida para uso online. Nesses casos, há a necessidade de utilizar um middleware para conversão entre formatos de dados e, com freqüência, como nos primórdios da internet, a própria TI terá de criá-lo.

Grandes provedores de cloud computing oferecem boas ferramentas de integração para os aplicativos de negócio mais populares, mas não têm ferramentas para interação com fornecedores mais antigos ou de nicho. “Muito menos com sistemas desenvolvidos internamente”, diz Stuart Appley, CIO da Shorenstein Properties, administradora norte-americana de imóveis comerciais.

Appley utiliza uma versão hospedada de um sistema-chave de gestão de propriedades da Yardi Systems que roda em um servidor IBM AS/400. Quando o CIO quis versões em nuvem de outros aplicativos para troca de dados com o software Yardi, nenhum fornecedor tinha um aplicativo escrito especificamente para interligar o sistema. Assim, a equipe de TI da Shorenstein criou interfaces na linguagem RPG.

Ao mesmo tempo, Appley acaba de adotar um sistema de fluxo de trabalho para verificação e aprovação de faturas, que usa o BizTalk Server, da Microsoft, para controlar informações entre diversos sistemas, dentro e fora das dependências da Shorenstein. A solução gerencia os dados que os diferentes aplicativos em nuvem processam, em vários formatos, incluindo FTP, serviços Web e APIs personalizadas.

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Fonte: Originalmente publicado por CIO/EUA em 31/08/2010

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