jan
11
2012

IaaS: self service de infraestrutura

Manter a infraestrutura tecnológica dentro de casa é uma decisão que está sendo repensada pelas companhias, especialmente as de pequeno e médio portes, afirma Anderson Figueiredo, gerente de Pesquisas da consultoria IDC.  Ao que tudo indica, o poder da computação não está mais preso a uma caixa, saltou para as nuvens. “O investimento em soluções para o data center é alto e pagar pelo uso é grande atrativo. Essa é uma importante alavanca de cloud no modelo público de infraestrutura como serviço (IaaS)”, diz.

Segundo Figueiredo, as grandes, geralmente, já contam com suas estruturas, realizaram alto investimento na aquisição de equipamentos e, por isso, tendem a escolher o modelo privado.

Dados da IDC mostram que em 2010, o mercado nacional de IaaS na modalidade pública movimentou 35,8 milhões de dólares, com representação de 50,3% do setor de cloud computing. A consultoria projeta que em 2011 ele seja responsável por 56,1% e gere receita de 55,89 milhões de dólares.

Em 2012, o crescimento será ainda maior, aponta a IDC, já que deverá somar 90,86 milhões de dólares. A expansão média, ano a ano, será de 64%, de acordo com Figueiredo incremento superior ao de software como serviço, que já fisgou mais usuários até o momento.

O instituto de pesquisas Gartner aponta que até 2014, esse segmento deve totalizar receita de 10,5 bilhões de dólares em todo o mundo. “Da mesma forma que as classes sociais cresceram, as empresas também. Elas mudaram de patamar na cadeia econômica e passaram a ter novas necessidades e IaaS ganhou espaço nesse contexto com forte apelo de redução de custos, possibilidade de expansão e flexibilidade”, aponta Figueiredo.

Atentas a esse cenário, o estudo 350 Maiores Empresas de TI e Telecom, realizado pela Deloitte em parceira com a COMPUTERWORLD, revelou que 60% das empresas que responderam já têm oferta de nuvem. Dessas, 25% disseram que IaaS é o segundo produto de cloud comercializado, perdendo para SaaS.

Além disso, 41% acreditam que infraestrutura como serviço será a modalidade de mais crescimento nos próximos anos. A exemplo de companhias como Amazon, uma das líderes do mercado lá fora, elas vislumbram oportunidades na nuvem e querem conquistar filão desse mercado.

Na opinião de Pedro Bicudo, sócio-diretor da consultoria TGT Consult, IaaS deverá atingir maturidade nos próximos dois anos, mas precisa passar por uma fase de mudança cultural para decolar. “Ainda há fornecedores que apontam cloud como forma de terceirização. Mas não é. É preciso uma ruptura desse pensamento”, diz. Ele explica que a diferença está na customização. “Nuvem é massificada, a solução é igual para todas, outsourcing não. É por isso que cloud custa metade do valor de terceirização”, esclarece.

Outro ponto de atenção no setor, diz, é em relação à oferta. “A indústria tem de vender cloud, assim como é feito com as impressoras: na prateleira. Um grande desafio hoje”, acrescenta.

Embora segurança ainda seja apontada por companhias e analistas como alerta vermelho para adoção de cloud, para Figueiredo a terceira barreira não está relacionada ao tema e sim ao modelo de negócios. “Empresas ainda têm dúvidas de como o serviço pode ser cobrado”, opina.

A HP tem uma proposta de infraestrutura convergente, desde o início do ano, os olhares da companhia estão voltados ao tripé infraestrutura como serviço, plataforma como serviço e loja de aplicativos, afirma Alexandre Kazuki, diretor de Marketing da área de Enterprise Server Storage Network (ESSN) da HP Brasil.

“Até o ano passado, atuávamos como consultoria para clientes que desejavam migrar para a nuvem. A oferta que temos hoje é focada em grandes empresas e temos acordos de níveis de serviço que monitoram paradas, tempo de resposta etc”, explica. Kazuki diz que no Brasil são dois data centers direcionados para atender aos clientes de IaaS, um em Alphaville (SP) e outro em Anchieta (SP).

No entanto, na visão dele, o uso de cloud pública ainda é baixo, mas a tendência para os próximos anos deverá ser a combinação de cloud privadas e públicas. “Apostamos no incremento das nuvens híbridas”, diz.

Henrique Sei, diretor de Vendas de Soluções da Dell Brasil, diz que o foco da Dell vai além do hardware. “Engloba produtos de mobilidade, software, serviço e estamos cada vez mais seguindo o caminho do as a service”, explica. Em abril deste ano a empresa anunciou que vai direcionar 1 bilhão de dólares para construção de data centers em todo o mundo destinados à oferta de cloud computing.

“A ideia é manter a oferta de hosting e colocation por meio de parceiros e migrar os novos ambientes para IaaS”, diz. A Dell adotou como estratégia efetuar aquisições para reforçar o portfólio de data center. Um exemplo é a Force10, comprada recentemente.

O modelo é velho conhecido da Locaweb, assegura Gilberto Mautner, presidente da companhia. “Trabalhamos desde 1998 com assinatura de serviços e não temos dificuldade. Começamos a atuar no mercado na gestão de sites e conforme a base de clientes cresceu passamos a prover IaaS.”

Hoje, a companhia tem cerca de 6 mil clientes de IaaS, incluindo usuários de servidores dedicados e as companhias de e-commerce são as que mais apostam no modelo, segundo Mautner. Ele assinala que infraestrutura como serviço representa um terço da receita da companhia, que em 2010 foi de 147,9 milhões de reais [23,7% a mais do que em 2009]. “Em nuvem, crescemos cerca de 50% ao ano.”

Com a adoção crescente de IaaS, além dos fornecedores de hardware de TI os de hardware de Telecom também vão sentir o efeito dominó. Rodrigo Dienstmann, diretor de Operadoras da Cisco do Brasil, conta que três grandes demandas deverão ampliar a presença da companhia no setor: aumento de devices conectados, explosão de acesso a vídeos e cloud computing. No último ano, aponta, a Cisco cresceu quase 30% em receita e esses elementos contribuíram para a ampliação dos negócios.

A Cisco, prossegue, que sempre teve presença em data centers com a linha de switches e roteadores, fez investimento direcionados [como a entrada no segmento de servidores] para que pudesse oferecer uma arquitetura completa para os data centers, seja de teles ou corporativos.

Ele diz que a entrada de teles no mercado de TV por assinatura, possibilitando que os clientes acessem a programação na cloud e ainda a maior cobertura da banda larga no País, gera oportunidades para toda a cadeia envolvida.

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Fonte: Originalmente publicado por  COMPUTERWORLD em 11 de janeiro de 2012 – 07h30