out
26
2011

Gastos com TI em 2010: nuvem, social, mobile e a explosão das informações

O instituto de pesquisas Gartner revela que o Brasil é a sétima maior economia do mundo e os gastos com TI no País deverão chegar a US$ 143,8 bilhões em 2012. A cifra é 10,1% acima dos US$ 130,6  bilhões conquistados em 2010. Além disso, esse setor no Brasil apresentará crescimento até 2014 com taxa de crescimento anual de 9,9%.  O instituto estima ainda que apesar dos gastos de US$ 74 bilhões em cloud registrados em 2010, isto representa apenas 3% dos gastos das empresas. Mas esses serviços vão crescer cinco vezes mais rapidamente do que os gastos gerais das empresas com TI (19% anualmente até 2015).

A nova era traz com ela forças urgentes e irresistíveis, segundo o Gartner, que incluem a nuvem (cloud), social, mobile e uma explosão das informações. “Essas forças são inovadoras e disruptivas por si próprias, mas juntas elas estão revolucionando as empresas e a sociedade como um todo”, disse o vice-presidente do Gartner e global head de Pesquisas Peter Sondergaard, durante o Gartner Symposium ITxpo 2011,  conferência da indústria de TI, que começou hoje (25/10) e vai até dia 27 de outubro, em São Paulo. “Esse vínculo define a próxima era da computação. Para entender essa mudança, é importante avaliar cada uma das forças”, acrescenta.

Para o Gartner, a nuvem combina a industrialização das capacidades de TI e o impacto disruptivo dos novos modelos de negócio impulsionados pelo setor. Porém, a mudança dos modelos tradicionais de aquisição de TI para o conceito orientado a serviços em nuvens públicas ainda está em seus estágios iniciais. “O que as cadeias de suprimentos fizeram para a manufatura é o que a computação em nuvem está fazendo para os datas centers internos (in-house). Ela está permitindo que as pessoas otimizem suas capacidades diferenciadas”, explica  Sondergaard.

Os bons resultados  têm fundamento. “O Brasil foi menos afetado pela crise financeira mundial em virtude de sua disciplina fiscal, do consumo interno e do mercado diversificado de exportação”, afirmou o executivo do Gartner. “As organizações brasileiras abraçaram a recessão global como uma oportunidade e buscaram a tecnologia como um fator decisivo, o que ajudou o País a se recuperar rapidamente e na demanda e no crescimento de TI. Os CIOs brasileiros têm a oportunidade de se tornarem líderes mundiais na adoção de TI”,  disse Sondergaard

Segundo ele, os dias em que a tecnologia da informação era vista como secundária, acabaram. Para ele, a política e economia globais estão sendo moldadas pela área de TI. “O setor é um impulsionador básico do crescimento dos negócios. Como exemplo, observamos que, somente este ano, 350 companhias vão investir mais de US$ 1 bilhão em tecnologia e elas estão fazendo isso porque esta é a área que tem impacto no desempenho de seus negócios”, diz o executivo.

Ainda, segundo Sondergaard, dois terços dos CEOs acreditam que a TI fará uma contribuição maior às suas organizações nos próximos dez anos do que nas décadas anteriores. “Para que os líderes da tecnologia da informação prosperem nesse ambiente eles devem conduzir das linhas de frente e reinventar o setor. Eles ainda precisam abraçar os negócios pós-modernos, onde as empresas são dirigidas pelo relacionamento com os clientes, alimentadas pela explosão da informação, da colaboração e da mobilidade”, afirma Sondergaard.

Outros impactos

O próximo estágio da computação social será o envolvimento em massa de clientes, cidadãos e funcionários com os sistemas empresariais, de acordo com o instituto de pesquisas. “Com 1,2 bilhão de pessoas nas redes sociais [cerca de 20% da população mundial], a computação social está em uma nova fase. Os líderes de TI devem incorporar imediatamente as capacidades de software social em seus sistemas empresariais”.

O conceito de data warehouse empresarial, contendo todas as informações necessárias para as decisões, está morto. Múltiplos sistemas, incluindo gestão de conteúdo, data warehouses, data marts e sistemas de arquivos especializados unidos com serviços de dados e metadados vão se tornar um warehouse “lógico” dos dados empresariais. “A informação é o combustível do século 21, e as análises o motor de combustão,” descreve Sondergaard.

Segundo ele, buscar isto estrategicamente vai criar um volume sem precedentes de informações com enorme variedade e complexidade. Isto está levando a uma mudança nas táticas de gestão de dados conhecida como ‘big data’, criando o que chamamos de uma arquitetura de Estratégia Baseada em Padrões (Pattern-Based Strategy Architecture), que busca sinais e os modela pelo seu impacto – e, depois, os adapta ao processo de negócio da organização.

A mudança para a mobilidade está quase ultrapassando as organizações de TI que não podem se mover com rapidez suficiente para recuperar o terreno perdido. A mobilidade não é uma tendência que está chegando, ela já aconteceu. Em 2010, a base instalada de PCs móveis e smartphones superou a dos PCs desktops.  Cerca de 20 milhões de tablets (como o iPad) foram vendidos em 2010, mas, até 2016, o Gartner estima que 900 milhões de tablets serão comercializados, o que representa um tablet para cada oito pessoas do planeta.

Até 2014, os dispositivos baseados em sistemas operacionais móveis [como o iOS da Apple, o Android do Google, e o Windows 8 da Microsoft] vão superar  todos os sistemas baseados em PCs. “É uma mudança incrível, não apenas para as pessoas. Ela requer que a TI reimagine a forma como se fornece aplicações. Até 2014, lojas de aplicativos vão ser implementadas por 60% das organizações de TI. As próprias aplicações serão redesenhadas, entendendo automaticamente a intenção dos usuários. A computação móvel não é apenas o desktop em um dispositivo móvel. O futuro da computação móvel é ‘context-aware’, que leva em consideração o contexto e situação do usuário.

Computação em nuvem, social, informação e mobile combinam o próximo ponto de conexão, no qual os Data Centers darão espaço para Data Cloud (nuvem de dados) e os dispositivos móveis vão se tornar janelas para nuvens pessoais. A computação pessoal irá se tornar uma computação massiva e colaborativa e as tecnologias de informação serão ofuscadas pelas ‘information ecologies’.

“O impacto dessas forças fará com que as arquiteturas dos últimos 20 anos fiquem obsoletas. Juntas, elas pressionam e nos levam a criar negócios pós-modernos, orientados pela simplicidade e pela desconstrução da força criativa”, conclui Sondergaard.

.

Fonte: Originalmente publicado por COMPUTERWORLD em 25 de outubro de 2011 – 19h47

Deixe um comentário