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17
2012

Falta de plano de TI para Copa de 2014 preocupa empresas do setor

A falta de um plano TIC para suportar a Copa do Mundo de 2014 preocupa empresas do setor, que temem que a definição dos projetos aconteça no terceiro tempo, depois que as obras civis e dos estádios estiverem na reta final. Embora o governo considere o tema importante, representantes da indústria afirmam que o tema ainda não faz parte da agenda dos preparativos para o megaevento.

“Ainda não está claro a participação de TIC na Copa”, afirma Antonio Rego Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). A entidade vem há 3 anos tentando chamar a atenção dos governos municipais, estaduais e federal para a necessidade do planejamento da TI antes de as obras serem projetadas. A entidade encomendou um estudo à A.T.Kearney, divulgado no final de 2010e atualizado recentemente em que mostra o atraso do País na definição das tecnologias que vão processar as informações  competições do mundial de futebol.

O atraso vai obrigar o Brasil a fazer as obras de infraestrutura de TI e das demais em ritmo Juscelino disse Gil durante o evento “TIC e a Copa em São Paulo”, realizado ontem na capital paulista. Ele fez uma comparação com a construção de Brasília em apenas cinco anos durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, levando em consideração a dificuldade que o País tinha para conseguir tijolo para levantar uma cidade do porte da capital federal.

Gil destacou que a Copa de 2014 vai exigir muito das redes de comunicação por causa da alta demanda por vídeo em 3D, para transmissão principalmente pelo celular. Estima-se que o País receberá mais de 600 milhões de turistas de várias partes do mundo para acompanhar os jogos, incluindo os profissionais de mídia que vão cobrir e gerar imagens para aproximadamente 26 bilhões de telespectadores ao redor do mundo.

Nelson Wortsman, diretor de Infraestrutura Convergência Digital da Brasscom, alertou para o gargalo das redes de comunicação, principalmente nas cidades que serão escolhidas para abrigar Centros de Treinamentos (CTs) para receber uma das 32 seleções mundiais. Ele observa que esses locais não contarão com cobertura 4G como nas cidades-sede, que terão cobertura de banda larga de quarta geração, segundo os cronogramas do governo federal.

Para isso, a  Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realiza no próximo mês o leilão das frequências de 4G para atendimento das exigências da Copa do Mundo. Mesmo assim, nem todos os turistas estrangeiros que trouxerem dispositivos baseados nesse padrão poderão acessar as novas redes. A faixa que algumas teles estão usando em outros países para 4G é de 700 MHz, que no Brasil está alocada para emissoras de TV e, que segundo a Anatel, não ficará livre a tempo da Copa do Mundo.

A TI dentro dos estádios já foi definida pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), que elegeu a Oi como a responsável pelos sistemas de comunicação. A entidade credenciou empresas internacionais para o fornecimento dos sistemas de gestão, bilhetagem, processamento de resultados, centros de radiodifusão e de mídia. Porém, a Brasscom afirma que falta planejamento para o entorno dessas áreas.

Apoio da TI 

Paulo Sergio Castilho, diretor do Departamento de Direitos do Torcedor do Ministérios de Esportes, tranquilizou os representantes da indústria de TIC. Ele considerou que TI será uma peça-chave durante a Copa do Mundo. “Tem muitos problemas de violência entre as torcidas e acho que TI pode nos ajudar, com a identificação dos torcedores”, afirmou durante o seminário.

Apesar de não abordar onde a TI entrará nos projetos que estão sendo implantados pelo Estado de São Paulo para mundial de futebol, Raquel Verdenacci, coordenadora da secretaria executiva do Comitê da Copa de 2014 do governo de Geraldo Alckmin, ressaltou que essa área é essencial para garantir a entrega da rede serviços aos turistas.

Raquel ressaltou que os preparativos do governo estadual envolvem diversas iniciativas, além da construção do estádio do Corinthians em Itaquera, onde serão disputadas seis das 64 partidas do mundial. “É a tecnologia que vai otimizar e fazer a entrega de serviços”, afirma.

Já Rodrigo Prada, diretor de marketing do Portal 2014, que visitou com arquitetos estádios brasileiros onde serão realizadas as competições da Copa, constatou que há o interesse de transformação desses locais em espaços inteligentes, mas que ainda não iniciaram o planejamento da TI e Telecom.

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Fonte: Originalmente publicado por ComputerWorld em 16 de maio de 2012 – 18h13