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31
2012

Dez previsões sobre o papel do CIO em 2020

Quem poderia prever, há dez anos, que o CIO teria de lidar com desafios como segurança na nuvem e virtualização? Para saber como será o papel do CIO daqui oito anos, consultamos líderes da indústria, analistas e diretores de TI. As conclusões você encontra abaixo.

1. O departamento de TI não será físico
Há uma mudança dramática para a nuvem, mas ainda há uma definição clara de quem trabalha em TI, onde o departamento está localizado e quem está no comando. Em 2020, isso vai mudar. A área de TI vai seguir uma estratégia de provedor de serviços. Ou seja, vai parar nas nuvens. Haverá uma migração de um departamento que gerencia os serviços na nuvem para um serviço em nuvem em si.

Bob Janssen, CTO da RES Software, empresa que fabrica software para o Windows Desktop Management, assinala que os usuários finais de hoje são a última geração de trabalhadores que podem dizer como e onde a TI está operando. A próxima geração não saberá. Profissionais terão links com cerca de 150 outros trabalhadores [em média] e crescerão de forma analógica.

2. A colaboração empresarial ocorrerá na nuvem
Videoconferências de alta definição certamente registraram progressos, mas a maioria das reuniões ainda acontece de forma presencial. Em 2020, de acordo com McKinnon, a colaboração na nuvem deverá substituir a colaboração por trás de um firewall. Isso significa que o CIO terá de resolver como os funcionários usam os serviços na cloud.

“Como resultado, a posição do CIO será a de um profissional que dá mais ênfase para a liderança estratégica de negócios, observando onde e como colaborar melhor com os parceiros de negócios”, diz ele. “Isso também significa que o gestor de tecnologia terá de enfrentar a questão da informação que se move por trás de um firewall de segurança.”

3. O CIO vai lidar com menos pessoas, especialmente para a segurança
Em 2020, o papel do CIO vai afastá-lo da gestão de pessoas. Enquanto que para alguns esse quadro pode parecer muito longe no futuro, a realidade é que a computação está se tornando mais independente e menos dependente de intervenção humana para fazer com que os sistemas funcionem corretamente. Darnell Washington, CEO da SecureExperts, afirma que a segurança de edifícios, gerenciamento de identidade e até mesmo a resposta de emergência serão controlados pela inteligência artificial do computador (AI).

“A resposta inicial e a compilação do conhecimento da situação serão coletadas por sistemas ‘não-tripulados’, robôs de vigilância, e outros sistemas de veículos aéreos não tripulados que contêm recursos de áudio e vídeo”, acrescenta.

4. Usuários finais não estarão dispostos em grupos departamentais
Janssen aponta ainda que os usuários finais não vão mais trabalhar em grupos. Essa mudança será uma das mais importantes para os gestores de TI, que muitas vezes se encontram com as equipes para colaborar e desenvolver estratégias. Pelo contrário, o profissional da área vai se tornar um provedor de serviços para indivíduos, garantindo que os seus gadgets, software e sistemas funcionem corretamente.

Ele afirma que os usuários digitais “nativos” podem ter até 15 mil relações comerciais importantes [muitos delas pessoalmente] que podem servir como recursos técnicos. Em 2020, serão criadas lacunas nas quais as plataformas sociais hiperconectadas farão com que os trabalhadores sejam mais familiarizados com os amigos do que com companheiros de trabalho. Assim, o CIO de 2020 terá de competir com o Facebook de amanhã. “As redes sociais servirão como uma colaboração mais eficaz entre as equipes”, acrescenta.

5. Guerra cibernética transformará o CIO em um general
Não é segredo que o atual CIO tem de lidar com os ciberataques de forma rotineira. No entanto, como John Thielens, CSO da Axway, empresa de segurança, assinala a ciberguerra vai exigir uma posição quase que militar desse executivo.

Isso significa que um CIO pode ter de passar a negociar acordos de conexão entre prestadores de serviços de internet. Hoje, a web é essencialmente um corpo de forma livre, onde ISPs passam a informação ao longo de obstáculos. “Vamos ver os firewalls nacionais como uma forma de manter seguras as relações de fronteiras”, indica Thielens. “Observaremos ainda que a gestão da interconexão entre grandes empresas globais será muito mais difícil.”

6. BYOD será uma norma

No futuro do departamento de TI, os funcionários levarão seus próprios dispositivos para trabalhar e vão ajudar a torná-los seguros. Hoje, esse cenário ainda é uma exceção à regra.

Tim Naramore, CTO da Masergy, provedor de rede gerenciada, prevê que o departamento de TI será responsável por gerenciar os dispositivos controlados por funcionários. Na maioria das vezes, os trabalhadores vão comprar seus próprios dispositivos de computação e usá-los no trabalho.

7. Outsourcing vai usar inteligência artificial

Uma das principais tendências para o CIO será a terceirização de gerenciamento de máquinas físicas que lidam com as chamadas ou problemas de suporte, um papel mais complexo que vai lidar com equipes de inteligência artificial.

Greg Pierce, diretor de estratégia em nuvem da Tribridge, companhia de consultoria empresarial, cita o exemplo de um call center. Hoje, há um prédio em que os representantes atendem ao telefone. Em 2020, o sistema de reconhecimento de voz vai avançar para o ponto em que um robô pode atender a chamada e prestar apoio técnico, com uma voz digital que soa como um ser humano. Isso significa que o CIO vai gerir esse grande número de “bots”.

8. CIO terão impacto na direção de negócios
Muitos profissionais de TI hoje se reunem com líderes empresariais e contribuem para a direção geral da empresa. No futuro, o CIO não se limitará a somente ajudar, ele poderá assumir um papel de assessor, mais centrado em inovação. Naramore, da Masergy, assinala que o CIO estará envolvido em todas as decisões-chave de negócios, de marketing, design de produto e logística, e que a tecnologia vai desempenhar papel-chave nessas áreas.

9. Análises serão cada vez mais importantes

Tomar decisões de forma adequada significa contar com bons dados, e a maioria dos CIOs aprendeu essa lição. No futuro, indica Oliver T. Bussmann, vice-presidente-executivo e CIO da SAP AG, esse executivo vai aprofundar ainda mais na análise, como uma maneira de prever as tendências tecnológicas futuras.

“O líder de TI precisa ganhar um lugar na ‘C-suite’ olhando para o futuro da empresa e da tecnologia para permitir novos modelos de negócios e melhorar a margem ou garantir vantagem competitiva”, observa Bussmann.

“Em muitos casos isso significa o uso de plataformas analíticas para reagir e tirar vantagem das tendências em tempo real. A execução em massa de infraestrutura interna não é mais uma prioridade”, avalia.

10. O reinado Microsoft pode terminar
Talvez uma das mudanças mais dramáticas em 2020 acontecerá com a Microsoft. Todd McKinnon, CEO da Okta, que atua na gestão de acesso, diz que o crescimento do iOS e o Android causaram um buraco no domínio da Microsoft. No entanto, os dispositivos móveis provavelmente vão acabar com a hegemonia da Microsoft.

“Em 2020, funcionários, clientes e parceiros exigirão o acesso a aplicações a partir de mais de um dispositivo”, argumenta. “Se o CIO não tiver construído uma infraestrutura para suportar essa demanda, vamos ver graves falhas de segurança.”

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Fonte: Originalmente publicado por CIO.COM em 31 de maio de 2012 – 07h30