fev
15
2012

A TI é vítima do seu próprio sucesso, diz CIO

A TI está se tornando uma vítima de seu próprio sucesso, afirma o CIO da Fundação Wellcome Trust, Mark Bramwell. Ele usa um exemplo de sua organização, um centro avançado de fomento a pesquisas na área de saúde humana e animal do Reino Unido, que melhorou a disponibilidade de seus sistemas através da virtualização de servidores.

“Estamos em 99,97 por cento de disponibilidade, mas agora cada interrupção do sistema é percebida uma grande falha [em comparação aos 97,5 por cento do passado]“, diz Bramwell. Ele contabiliza um segundo de inatividade de um cliente como uma interrupção.

Para lidar com isso, tem de gerir as expectativas das áreas de negócios, que Bramwell acredita requer “relações adultas” e de “total abertura e transparência”.

“Falhas no serviço são a exceção agora, não a norma. Não adianta esconder falhas de serviço e interrupções. Nenhum dá para ser evasivo quando elas ocorrem”, diz ele. “É o papel do CIO segurar sua mão e admitir um erro”, diz.

Bramwell garante ser capaz de ter essas “relações adultas” com as áreas de negócios por causa de seu histórico pessoal na entrega de projetos de TI, e essa credibilidade ajuda a construir a confiança com colegas C-level dentro da organização. Só no ano passado, conduziu na Wellcome Trust 46 grandes projetos de TI, com êxito.

“Foi praticamente um [projeto] por semana. A [empresa] precisava absorver essa quantidade de mudança. O projeto não pára em execução. Você tem que ter certeza que ele suporta o crescimento do negócio”, diz Bramwell.

Embora seja o líder de TI da Wellcome Trust já há três anos, Bramwell não tem qualquer qualificação técnica em sua formação profissional. “Sou provavelmente o CIO menos técnico que você já conheceu”, diz ele.

Começou a trabalhar na Wellcome Trust em outubro de 2006, como gerente de desenvolvimento, depois de quase 16 anos na WHSmith como chefe de desenvolvimento de TI. Começou na WHSmith em Agosto de 1991, enquanto cursava sua pós-graduação, depois de ter estudado administração e finanças.

Bramwell admite que é um “desafio diário” para ele e seu departamento de TI para ficar à frente da inovação tecnológica da Wellcome Trust. No entanto, ele complementa sua falta de conhecimento técnico com a participação ativa nos grupos de CIOs e fóruns de CTO com fornecedores.

Também ajuda ser aberto a sugestões das áreas de negócios e dos usuários para a avaliaçãp e a implantação de novas tecnologias. “O negócio deve ser a agenda da tecnologia”, Bramwell insiste.

Por exemplo, o Wellcome Trust introduziu 130 iPads há 18 meses, para apoiar as reuniões paperless da diretoria, depois de um executivo sênior ter aparecido com um. Essas reuniões normalmente exigem o exame de documentos com centenas de páginas, antes necessariamente impressas para cada membro.

Embora os iPads – juntamente com laptops e BlackBerrys – tenham contribuído para um aumento nos custos da organização com computação pessoal por funcionário, Bramwell afirma que os iPads têm ajudado a melhorar e tornar mais eficiente a tomada de decisão.

Entre os 46 grandes projetos de TI que entreggou no ano passado estava a implantação do Microsoft Office 2010, uma atualização para o SharePoint 2010 e uma atualização dos sistemas financeiros. A Virtualização ajudou a reduzir o número de servidores físicos de 220 a apenas 50. E embora ainda não tenha virtualizado seus mais de 1mil desktops, já começa a explorar a tecnologia Virtual Desktop Infrastructure (VDI). Este ano, a organização planeja substituir sua rede e dar continuidade ao plano de virtualização, de três anos, que vai virtualizar 90% dos processos.

“Até o fim do ano fircal, em setembro, vamos ter trocado cada pedaço da infraestrutura, sem parar as áreas de negócio. É o meu desafio”, diz Bramwell.

.

Fonte: Originalmente publicado por Computerworld/UK em 15 de fevereiro de 2012 às 07h25