nov
30
2011

Cloud Computing pode não gerar redução significativa de custos

Vários especialistas da indústria e executivos de TI elogiam o modelo de cloud computing pelas vantagens que traz para a plataforma de TI e para os sistemas de informação da empresa: agilidade, facilidade de utilização, capacidade de expansão e, principalmente, a redução de custos – concretizada na troca de administração de despesas de capital, por uma gestão, mais facilmente digerida, de despesas operacionais.

Mas, dependendo do caso de cada empresa, cloud computing pode não gerar grande redução de custos. A comparação do custo de usar um serviço de cloud pública com o da compra e de gestão de hardware e software é semelhante a comparar maçãs com laranjas. É preciso analisar quanto se vai pagar por largura de banda utilizada em vez de considerar quanto custa a largura de banda contratualizada. E é preciso ter em conta os custos de manutenção e gestão da infraestrutura de TI, incluindo aquela externalizada, e a percentagem de pessoas do departamento de TI que serão despedidas.

Uma das maneiras de uma empresa ter noção dos custos é iniciar a execução das aplicações na plataforma de cloud computing, e depois, calcular os custos reais. Mas isso levanta uma série de questões adicionais, como a forma de contabilizar os preços flutuantes característicos de um mercado imaturo.

O preço pago durante o projeto-piloto pode não refletir necessariamente o custo de uma implementação de produção. Fazendo uma experiência com a EC2 da Amazon, por exemplo, é muito provável que se escolha usar os recursos disponibilizados nas On-Demand Instances, que permitem pagar por capacidade computacional usada por hora, e sem compromissos no longo prazo. Mas na execução de aplicações em estado de produção na nuvem, é mais provável usar as Reserved Instances, que oferecem a possibilidade de fazer pagamento de uma só vez para cada instância reservada e receber desconto sobre a taxa de uso horária para essa instância, de acordo com tabelas de preços da Amazon.

Will Gregerson, CFO da Shaeffer Manufacturing Company, considera ter passado frustrações semelhantes ao fazer comparações de custos entre um ERP tradicional e outro baseado na nuvem.

Um fabricante de software de ERP propôs uma licença única de instalação. E outro acrescentou custos para os módulos adicionais necessários. A decisão final recaiu sobre o SAP Business One e o software ERP em cloud computing da NetSuite, revela. A SAP cobrou uma taxa por cada usuário – o que é caro, considera –, enquanto a NetSuite também cobrou uma taxa por usuário, mas num modelo de pagamentos por uso, “pay-as-you-go”. Em última análise, o dinheiro não foi o fator decisivo mas sim a facilidade de uso e funcionalidade.

A Schaeffer optou pela solução do ERP da NetSuite porque “permite que os profissionais façam toda a programação e tem um sistema melhor”, considera o CFO. Segundo a análise de Gregerson, o custo de adotar o ERP na cloud, com o modelo “pay-as-you-go”, só deverá ultrapassar o custo inicial de adotar o software da SAP dentro de nove ou dez anos – muito tarde para ser um fator sério a ser levado em consideração, diz Gregerson.

Para muitas empresas, medir as poupanças intangíveis é mais um desafio. “Como se mede o custo da agilidade?” pergunta Gregerson. “Acabei de permitir que os programadores desenvolvam um novo produto ou serviço duas semanas mais rápido. Além disso, poderão também fazer mudanças mais facilmente. Quanto vale isso para mim?”, completa.

A maioria dos executivos tem uma noção intuitiva de que o modelo de cloud computing é o que eles deveriam adotar, mas é difícil de quantificar. Muitas vezes, mesmo quando uma análise de custos regista aumento com a cloud, o projeto prossegue. “Estamos descobrindo cada vez mais casos de sucesso, em que benefícios intangíveis como a agilidade das empresas estão se revelando mais importantes do que a redução bruta de custos na infraestrutura de hardware”, revela Geva Perry, consultor independente de cloud computing e autor do blog “Thinking Out Cloud”.

Provar a economia da nuvem pode ser um processo bastante nebuloso, mesmo comparando uma interna privada com o modelo de infraestrutura de TI tradicional, aponta o vice-presidente e analista da Forrester Research, James Staten. “Quando examinamos os clientes de cloud computing, o que encontramos são empresas mais eficientes. São mais rápidas e os custos gerais de operações de TI para a cloud são muito menores do que para o seu ambiente tradicional – portanto há benefícios. Mas na base está a capacidade de calcular os valores intangíveis”, considera.

Como exemplo, cita o caso de uma empresa que implementou uma cloud interna mas não reduziu o número de funcionários de TI. “Lá, há exatamente o mesmo número de pessoas, mas elas lidam com três vezes o número de máquinas virtuais em produção. Isso é, então, uma vantagem definitiva no funcionamento da empresa, mas não pode ser traduzida em valor monetário”, explica Staten. Por outro lado, a companhia pode estabelecer indicadores sobre a capacidade de evitar custos, acrescenta.

“Nós tínhamos um determinado número de gestores de TI para um número de máquinas vituais e agora temos outro número de técnicos para um novo número de máquinas virtuais. Antes, precisaríamos de contratar mais cinco gestores para lidar com esse número de dispositivos”, estima.

Embora a Forrester veja evidências de que os custos de TI operacionais são mais baixos para a gestão de cloud privadas face às infraestruturas tradicionais, não consegue apontar uma percentagem média. “Simplesmente não há ainda exemplos suficientes”, diz. Em vez disso, a Forrester aponta o seu modelo de maturidade de virtualização. “Nós apresentamos quatro estágios de virtualização, e a última etapa descreve praticamente uma operação de cloud computing. Além disso, o modelo prevê cerca de 10% a 20% de melhorias de eficiência operacional por etapa.”

Nas etapas de projeto-piloto e testes, a Deloitte Consulting estima que a maioria dos clientes de cloud consegue saldos positivos, diz Mark White, CTO da área de tecnologia da consultoria. A Deloitte tem visto vários clientes renunciarem à utilização da cloud computing, pelo menos por agora.

“Houve casos nos quais um CIO disse: ‘isto não faz sentido. Tenho massa crítica de competências e capacidade de expansão, a solução atual está funcionando bem, e para mim é mais correto continuar no mesmo caminho, fazendo uma atualização ou outro tipo de melhoria’”, exemplifica.

O importante é que tomaram essa decisão depois de analisar o plano de negócio, acrescenta White. “Cloud computing não é algo que se deva. O modelo é mesmo muito interessante, não me interpretem mal, mas essa não é razão para gastar dinheiro em uma empresa”, avalia.

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Fonte: Originalmente publicado por COMPUTERWORLD (PT) em 29 de novembro de 2011 – 13h29

 

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